domingo, 25 de dezembro de 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Melodias azedas de quem azedo partiu do porto

Dias de chuva
Com sol de fundo
As cordas de uma guitarra
Cravejadas bem fundo no peito
De quem se magoa
E se corta com imagens passadas.

Falta-me o sol
O vento
As cores.
Sobra-me o sal
As taquicardias
O lamento.
Falta-me.

O relógio partiu
Em quatro cristais de quartzo.
Dividiu-se.
Não sabe ler-nos o tempo.

A guitarra no canto escuro do quarto
Gritou dos seus pulmões de melodia
O quanto lhe doía a alma
O quanto lhe pesava a agonia.

Todos entendem.
Parecem entender
Que o todo não é o tudo
E o nada transcende-me.
Transcendem-me,
Nobres as paisagens
Acinzentados os rios
Dissecadores de sentidos
Acorrentam-me.
Matam-me.
O relógio ri.
A guitarra chora.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pensamento em Cadeia

Esquecidos os relógios
Quebrados os ponteiros.
O cheiro a café,
Um livro na mesa,
Histórias.
Mundos encantados.
Surreais.
Paraísos destruídos
Por dragões humanos
Com asas de ouro.
Exploração das vertentes paralelas
Entre amor e ódio.
Desvia-te!
Chamas,
Ardentes,
Acusatórias.
Elitismo.
Egocentrismo tão puro como sonhos.
Loucamente apaixonados
Pelo reflexo que lhes oferece o espelho.
Bâton na lapela,
Traição.
Morte em vida.
Oh oh!
Resumi-te.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Não tenho nexo

Nem sempre sei o que escrevo
Na história breve dos meus dias
Saberei
Quando azul for a calma
De um porto seguro navegante.
Um mar de palavras
Soltas, à deriva,
Num delírio fervilhante
Na proa um papagaio,
No centro um acompanhante.
Contador de épicas histórias
De signos linguísticos trocados
De heróis cruéis derrotados
Pela desavença de vitórias.
E eu?
Eu nada.
E eu tudo
Porque em nada há sempre um algo
E em algo há sempre um tudo.
Pequenez.
Não me dão nexo
Mas tenho-o,
Nas colinas do meu defeito
Na virtude linear.
Silêncio,
Apaguem o ruído
Que eu quero descansar.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ser pensante cansa
Como as folhas que se arrastam
Num rodopio contraditório
Em ventos de feição de outrem.
Cansa-nos os dias.
Cansa-nos os sonhos.
Cansa-nos as letras.
Os papéis.
As fachadas.
Os teatros tão solenemente ensaiados.
Personagem principal? Eu.
Eu: de jeitos enjeitados
De episódios enfeitados
Por uma réplica de vida,
Nunca a minha.

Ser pensante cansa.
Cansa a alma.
Cansa o sangue.
Cansa a vida.
Os discursos, esses, proliferam
Ora éticos
Ora discordantes
Ora cortantes
Para a assembleia que os inala.
Fumo de frases.
Cinzas do que foi.
Os sentimentos, esses, vão em debandada
Crescentes
Decrescentes
Outrora nulos
Como as palavras que te profiro.
Ser cansante pensa,
Ser pensante cansa.

Deixem-me.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

E já lá vão 19


Parabéns para mim :)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Tenho-nos

Tenho-te.
Como a Primavera se pinta de cor
Como as árvores rejubilam em flor 
Como os pássaros chilrem canções de alegria
Numa atmosfera de luz repleta de melodia.
Tenho-nos.

Afogo entre os contornos do teu peito
Os tão tempestuosos dias de tristeza
Gaudioso o teu olhar de um verde perfeito
Que me preenche os dias de beleza,
Fitas-me,
Em deleito.

Tenho-te
Como água fresca de cascata
Num dia quente de Verão
Como notas musicais alinhadas em serenata
Pela tua voz que me canta ao coração.
Tenho-nos.
Ah, tenho-nos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Verde teu

Relva doce
De um verde teu.
Chocolate negro
De um olhar, o meu.

Belos são os dias
Com o teu abraço forte e apertado
Aprazíveis, tão vivaças as folias
De um amor por nós consumado.

Não largues.
Não hoje,
Nem amanhã.

Transborda-me em alegrias de sobejo
Sob melodia nos fados dos corações
Mima-te no carinho do meu beijo
Na tinta indelével das minhas declarações
E agarra-te,
Perto,
Bem perto,
Tão perto
Do meu leque de emoções.
Regozija-te.

Fica,
Pernoita então.

Entrelacemos os sonhos e as novelas
Sem vestir um véu ciano de fugacidade
Caminhemos de dedos cônjuges pelas ruelas
Desta tão nobre e linda cidade.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Cinzas do que foi, era e é e vice-versa

Fácil,
Fácil é falar
Entre as comportas dos rios
Onde a vida flui prazerosa e mundana.
Entre corpos nus, jazz e assobios
Jazem ocultações escandalosas de vida humana.
Chiu!

É largar do copo de vinho
Levantar teorias de conspiração
Arroxear destinos no caminho
Dos pobres de espírito e de coração.

Fácil
É rir-me de ti
Rires-te de mim
É troçares do velho sem dinheiro
Da puta sem perdão
Gozares dos jeitos do peixeiro
Enquanto mergulhas num troço sem vocação.
Ri-te, ri-te de mim
Que eu de ti também me rio
Ridículos, ridículos somos
Nesta proa sem navio.

Despe-te
Deita-te
Mata-te com a carne
Cospe os desejos em surdina!
As palavras? Eu guardá-las-ei comigo
Ao jeito de um ardina.

Enterra os cadernos riscados de vivências
As penas que demarcam o trajecto acusatório
Sim sim! Deturpa as histórias, as artes, as ciências
Como larápio a caminho do purgatório!
Mente muito, sem ou com todos os dentes
Porque não se usam factos neste sanatório
E para vivermos iludidos em jeitos contentes
Mentir é como o ar... Extremamente obrigatório.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Isto!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Arranca-me do peito à força

Deambulo
Numa floresta de cubos desproporcionais
Ladeada de ramos vermelhos traçados de dor
Onde o vento se arrasta em sopros surreais
No centro, desenha-se um rio chorando por amor.

As petúnias secas, a erva grisalha
Tal céu violeta recheado de algodão
Negro, tudo negro em tons de malha
Como casaco que morto enverga no caixão.

O chão falso, em ruínas ocas
As pedras gastas, arremessadas pelo ar
As guias do caminho são já poucas
O ar é espesso, sufoca-me, devagar devagar...

Socorro-me nestas paredes ventriculadas
O rio brota e brota sangue cor de fruto maduro
Todas as minhas tentativas em vão, armadilhadas
O teu coração não é, afinal, um porto seguro.
Estou presa!
Estou presa!
Estou tão presa!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Contradigo-me a pensar

Deixa soltas do livro as páginas riscadas
Pelo arrependimento e desilusão
Que adquiram negras faces amareladas
Da luz se ofusquem em ritmo de renovação
Todas estas frases doces, com cuidado elaboradas
Pintadas a rigor nesta sociável encenação.

Não te quero ouvir falar sob o ego dessa pessoa sombria
Nem escutar o teu nome em cada esquina da rua
Não jubilarás pela minha condição em forma de poesia
Nem cantarás tremores sobre a minha alma nua!

Destruirei a minha montanha de desejos
De verdes margens construídas pela obsessão
Irei tornar sêcas as flores acarinhadas de beijos
Que suspiram num ritmo de exaustão
Querer-te mais? Não. Não!

E...
Que os teus sorrisos se entrelacem nos meus
Numa sinfonia de cabelos ao jeito de quimera
Entre compassos e melodias dos céus
Num belo e felizardo anoitecer de Primavera.

Oh!

terça-feira, 31 de maio de 2011

31 de maio

Sou uma pessoa de dramas. Sempre fui desde tenra idade. Hoje aconteceu-me um tão real como a dor que tenho no peito. É recente. Tem poucas horas. Está a sufocar-me.
O mundo é injusto com todas estas ironias e acidentes literais. Não quero acreditar que existe um "todo-poderoso" lá em cima a olhar por nós quando duas idosas de personalidade bondosa e amigável são projectadas brutalmente por um carro, cujo motorista se põe em fuga. Quando a vida de uma delas terminou hoje, a metros daquela passadeira, após uma ida à igreja. Ainda não caí em mim mas decidi escrever sobre isso. Decidi ocupar a minha cabeça na construção de frases com nexo enquanto lá fora e nos corredores de hospital se vive de mãos dadas com o drama da situação. Decidi vir aqui "insultar" cada singularidade que comete estes crimes quando existem tantas campanhas de sensibilização contra o excesso de velocidade e tantos casos sangrentos a juntar ao somatório interminável, não havendo assim, digamos, necessidade de se provocar mais um. Andem devagar na estrada, lembrem-se que os vossos pais, irmãos, filhos, amigos também caminham em passadeiras e tentem imaginar um migalhinho da vossa dor caso algo lhes acontecesse! Sensibilizem-se caramba, pensem que todos nós temos alguém que vai sofrer quando formos embora e apliquem-no a todas as situações! Agora é a parte em que não entendo porque me refiro a um "vós". Talvez seja por saber que a consciência do criminoso vai estar sempre a indicar-lhe o mal que fez e esteja, eu própria, a fazer o papel de consciência, numa tentativa frustrada de aceitar tudo na minha cabeça. Mas não aceito. Nunca me irei conformar com este início de noite. Nunca me irei conformar com todas estas situações. Nunca me irei conformar com a merda que este mundo é. Os humanos são a pior criação de sempre mas alguns... Alguns ainda conseguem ser pessoas. 

sábado, 28 de maio de 2011

Sente os trovões a rasgar a alvorada
Vê como gritam em fúria catastrófica
Sente o estremecer na negrura da madrugada
Escuta este pensamento alheio digno de proeza filosófica
Ouve a louca chuva de argumentos
De palavras largadas à sorte
Sente o chão a fugir dos sustentos
Observa cada um de nós a perder o norte

Observa as mentiras a amontoar-se
As filas intermináveis de pessoas sem lugar
Observa toda uma sociedade a deteriorar-se
Hipócritas de belo prazer a governar:
Levam-nos o futuro promissor
Levam-nos os dias de esperança
Não alteies a voz ao senhor doutor,
Esmagado serás pela liderança!
Pensa! Pára! Repensa!

E dá a mão à palmatória,
À onda revolucionária que se adivinha
Canta um hino à nossa vitória
Junta a tua voz à minha!


Dia 5/06 poderiamos fazer a diferença.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Baque

Vazio.
Sons silenciados
Tons avermelhados
De dor
Na transparência de letras
Das minhas cartas, meu amor.
Paragem.
Ponteiros loucos em permuta
Guerreada, tão suja a disputa
Pelo pódio de vencedor!
Amarrotada.
A folha em que te escrevo
Lágrimas doces, pela mão do ponto vital
Onde o sonho toma forma e relevo
Nesta adoração eterna e infernal.
Vento.
Companheiro de viagem
Abraço apertado de força natural
Larga-me a face, enche-me os olhos
Chora em dilúvio toda esta bagagem
Onde mora o nosso ponto final.
Carrego-a.

terça-feira, 24 de maio de 2011

whatever

Só a memória é capaz de parar o tempo.

sábado, 21 de maio de 2011

Ah tivesse eu...

Tivesse eu palavras
Em forma de descrição profana
Num mundo de doidos varridos
Talhado, crepitado pela vida humana
Onde segue a marcha de sangue em tons garridos
Do Norte ao Sul da costa Africana

Tivesse eu poderes findáveis de guerra
Supremos e hábeis em mudança
Apagando a roxa lágrima do olho da criança
Cujos pais petrificados comem a terra
Num soluço negro de esperança

Tivesse eu o controlo dos destinos
Destes vultos que pela sombra se passeiam
Da embarcação submersa aos ensinos
Onde jovens pelo mar, de bruços, esperneiam

Tivesse eu voz
Para juntar às estrelas luzidias no firmamento
E aos cortantes e desnorteados ventos
Juntar-lhes o sopro do mísero armamento
Dum pedestal em declínio de fados azarentos

Tivesse eu alma
Pura, leve, sem cor de crude
Numa viagem longa entre batidas e discrepâncias
Tivesse eu o pulso rude
Deitando por terra estas nobres ganâncias

Tivesse eu um argumento
Uma frase feita em cada acção
Uma postura regrada naquele momento
Em que estraguei a nossa bela narração

Tivesse eu um coração
Com rodopiantes borboletas em redor
Num ritmo pautado de ovação
A esta melodia suave que é o amor

Os atritos faiscantes nascem, desordeiros
Perante cânticos de júbilo ao karma que nos esbofeteia
Segura-se a mão dos nossos companheiros
Enquanto a farsa solta os esfomeados da alcateia
E encolho-me tal presa numa emaranhada teia
Duma vida de realeza em que figuro como plebeia.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Oiii é só para dizer que vou a DUBLIN ! :D


Obrigada Sporting Clube de Braga!  

quinta-feira, 12 de maio de 2011

"Oh, mudaste de desodorizante amor!"




No dia em que deixar de saber como usar máscaras...
 vou cair redonda no chão.




segunda-feira, 9 de maio de 2011

É

Instala-se uma espécie de fogo no estômago e múltiplos arrepios pela espinha. São muitas as dores em todo o corpo e um nó na garganta vai amparando as lágrimas que se abraçam entre si enquanto escorregam. É esta a sensação de sermos a estupidez e o ridículo personificados. A sensação de vida ilusória. Aquela sensação agoniante que me dá náuseas e pena, muita pena de mim própria. Burra!
Foi para isto que vim ao mundo? Há muito para descobrir e é certo que tudo passa um dia mas, nestas alturas, só desejava nem ter nascido sequer.


domingo, 8 de maio de 2011

Breathe No More



Não sei quantificar as saudades que tenho de ter quem me compreenda.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Nevermind

Cada vez que o sentimento desnutrido salta do meu peito
desejo incendiá-lo, ao de leve, como a uma ponta de cigarro,
transformando-o em beata, apagando-o para sempre.
Deixa, deixa queimar.

domingo, 24 de abril de 2011

2-1, ganhas tu

Entre jangadas de balanços uníssonos tapo a voz
Aos olhos da vida, das passagens, do rio
E a jangada corre, num ritmo em brio
Desce a nascente até à foz
Como a desnutrição do que era meu.

Para trás os abandonos
As palavras piegas e adorações...
Que se fodam os subornos
Enjoei de comparações!

Se lhe partisse os sonhos a meio
Caminhava-o ao desalento
Ao cenário louco que saboreio
No peito do colosso que dele fomento.
Se lhe partisse o corpo em três
Atirava-o à epifania da tormenta
Cada capítulo em deslize, à vez
Rumo de digestão mecânica violenta!
Se lhe partisse a voz e o ser
Ria-me pelos prefácios ignorados
Ria gargalhando as lágrimas que ao verter
Jorravam sangue nos olhos mortificados.
Os meus, os meus!

Perdi-me.

E...
Entre marés de folhas de papel imaginárias
Em leve toque de metáfora poética
Fogem mergulhadas letras nuas e precárias
Gritando, desesperando em mera ordem alfabética.

Perdi (-nos).

terça-feira, 12 de abril de 2011

Palavras...


Change your words. Change your world.


domingo, 3 de abril de 2011

Vago, tão estupidamente vago

Calmaria...
O vento melancólico atravessa as frechas das janelas
Das portas, dos sonhos e dos tempos

Calmaria...
As criaturas saltitam entre os paralelos e solstícios de primavera
No seio de rotinas e paisagens verdemente belas

Semi-calma...
Canta-nos a harpa dramática de fundo
Entre timbres de tropeçar e raiva expressos
Escuta-se o trovejar espalhado pelo mundo
Onde vidas-violeta se cruzam e encruzilham em avesso

Meia-calma...
E ergue-se a lua cheia e esbranquiçada
Entre metáforas brilhantes na água do lago
Surge-nos o amor, essa palavra espelhada
Entre um beijo ao de leve, tão estupidamente vago!

Quase-calma...
Nós
E a fluência do sujo riacho
Que nos brinda com a sua pestilenta presença.

Nula-calma...
E voa até mim como as aves migratórias
Sobre os céus de Florença
Voa, voa, esquece as horas
Condicionamentos, paragens e doença!
Voa voa voa entre o algodão das nuvens,
Entre a destreza dos prédios que, ao longe, se adivinha
Voa voa voa, vem até mim e mostra-me
Porque gostava eu da premissa "és minha"!

    (Ah... Yann Tiersen!)

sábado, 26 de março de 2011

Rosinha

Entre o castanho-dourado apelativo das soleiras da porta e o cheiro a madeira de pinho sopra a benevolência numa casa onde, outrora, corriam tempestades de palavras duras e premissas com o mesmo efeito de uma navalha cravada num ponto vital do corpo. Mudança, mudança.
Silêncios deram lugares a gargalhadas bem sonoras. A outrora hostil melodia das madeiras rachadas, das secretárias e outros mobiliários decorativos a cair em pedaços pela madrugada, deu lugar à melodia do gira-discos que há muito foi largado ao pó na dispensa zoológica. Havia som! Mudança, mudança.
As cortinas amareladas da pedraça e do bolor foram-se. No seu lugar constam agora umas vindas de Paris, mandadas pela tiazinha não sei de quem, onde figura um padrão vistoso de flores e símbolos, um pouco espalhafatoso a meu ver. Substituíram-se também os sofás pestilentos e, agora de pele, são o encosto de muitos dos convidados de face sorridente que, com os donos da casa, tomavam o chá. Deixara de haver bolor, negrura e fome. Mudança, mudança.
Onde habitavam fantasmas, vivem agora pessoas. Vivem, literalmente e com todos os fundamentos e letras. Vivem!
Um dia espero eu... a mudança, mudança.

terça-feira, 22 de março de 2011

Portugal cada vez mais pobre



Em cada entrevista, uma lição de vida.
Em cada palavra, um carinho crescendo pela sua sabedoria deliciosa.
Em mim, uma vontade enorme de travar um diálogo com este senhor, em partilhar da sua experiência e vitalidade.
Em si, trazia um orgulho enorme no país que o viu nascer e uma mão cheia de talentos. Hoje perdemos esta grande personalidade portuguesa que se junta a uma lista de nomes que nos pesa a todos e, o nosso coração chora, chora alguém cuja vida repleta de significação foi condecorada nos globos de ouro. É exactamente o trecho de apresentação desse globo que aqui deixo.
Um até já GRANDE Artur Agostinho (1920-2011).

quinta-feira, 17 de março de 2011

Orgulho no Sporting Clube de Braga!



Fizemos história ao chegar aos quartos de final da liga Europa eliminando um dos gigantes do futebol!
Somos os Guerreiros do Minho, somos ENORMES, somos o S.C.BRAGA!

sábado, 12 de março de 2011

Vamos cantar contra a reacção!



Visto que amanhã (hoje) é dia do protesto "Geração à Rasca", eu resolvi inteirar-me no espírito da coisa e fazer, em média, replay quinhentas mil trezentas e oitenta e três vezes à "A Luta é Alegria".
Li algures que a canção está em risco de não entrar na competição da eurovisão por, supostamente, ter conteúdo político e opressor. Isto está bonito está!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Ursa Ma(i)rç(o)(r)!

Ainda apática!
Estiquei o indicador
Elevei-me em bicos de pé
Toquei a Ursa Maior e ri com as rugas
De meus olhos cor de café.
Não os vesti de amarelo
Nem de podre
Usei-os, aos dentes.
Usei-os!
Não fingi.
Não fingi!
Foi real:

- como cada minuto que forma o nosso dia
- como cada raio de sol que penetra pela janela
- como cada pedacinho sorridente de alegria
- como cada reflexo duma cabeleira amarela
- como a festa, o carnaval, a folia
- como a figura matinal extremamente bela e

Foi real!

O calendário já aberto no mês proibido
Que te vence e deixa esquecido.
E venham daí os calafrios
Que escondem os pássaros libertinos
Abafando os seus assobios
Ah Março, deixas-me em prantos repentinos!

Enquanto a vida corria lá fora
Entre a água da velha fonte
E as danças dos eucaliptos
Entre as cabras da velhota do monte
E as flores que desabrochavam a toda a hora
E tantos outros blábláblá's constantes
O nosso amor crescia também
Mirabolante.
Cheio de futuro.
Metaforizado no belo fruto mais maduro
Da árvore pequena do jardim.
Tenho eu agora de certo,
Que tudo o que começa tem um fim.

Vejo que não me esforcei no meu lirismo
Agrego-me à crise e junto-a às letras
Preguiça, preguiça, frases de comodismo
Tinta seca nas canetas.
Estou cansada e em Março, não me exijam conformismo.

Lá vêm...
As copiosas pessoas em avessa
Prometendo-me que encontro um novo amor
Blá blá e mais blá e não me interessa,
Eu toquei a Ursa Maior!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Como vento, dá em vento

Metaforizemos.
Voa com o vento de Inverno toda a esperança que nos restava.
Como guarda-chuva que se quebra, quebram-se as palavras, dividem-se em infinitésimos, mais infinitos, zeros! ... Até que deixam de ser notadas.
Como folha castanha e amarrotada, largada à sorte pelo átrio, fico eu. Ao sabor do vento atroz da noitada que engole e consome cada bem terreno. Fico eu. Ficam restos de ti.
Como música pautada por críticas esmigalham-se as minhas claves de sol fortificantes e os compassos de espera multiplicam-se. Como loucos!
Como lua na noite negra tapada pelas nuvens, total cegueira e, pernoitando na escuridão, ficam as aspirações de algo que idealizei sobre mim própria.
Como gelo cristaliza-se o amor perfeito dos canteiros, impedido de florir. Ah! Olha nós! Amores-perfeitos de veludo condicionados pelo passar do tempo!
Março está quase aí, não é? A certeza de um fim está prestes a chegar e a colorir-me de tons mortos e incertos, quase transparentes, quase. Nada. Marca-se uma existência nula.
Como furacão, chegamos, bailamos sobre as coisas e fomos embora. Partimos. Norte para ti. Sul para mim. Incerto. Com validade. Fim.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Está? Estava! Estava? Esteve!

Moldei um sonho e fi-lo construir uma ponte entre nós
Entre riachos fecundos e primaveras
Entre árvores desnudadas, protagonismos, quimeras
Larguei-o, ao vento, perdi-lhe o rumo.
(Quem o agarrou e lhe deu vida?)

Sobre os verbos amorosos proferidos
Debrucei-me (na lua) e deixei-os soltos (na noite estrelada)
Em actos de comodismo e falência de emoção
Deixei que envelhecessem e, agora...?
Agora não valem nada.

Cravei as garras
Sobre o tempo e os pedidos,
E as narrações e as vivências
E as vozes e as insistências
E Alguém...
Alguém puxou a carpete que me sustentava e caí,
Desorientada entre um perder de sentidos
E o sabor da lágrima salgada.

Entendi então a noção
De cada palavra, bela e trabalhada,
Num misto de pétalas negras e ditaduras do coração
Que fizeram de nós fachada.
E todas estas feridas teimosas
Deixam-me com cor de insatisfeita a rir
No vazio dos passos de direcção ao precipício
Que imagino e que desejo (por tudo!) existir.



... Uma casa simpática na montanha
E o teu belo sorriso de criança...                            Ilusões de óptica?


Já não sei, já não sei de nada...




domingo, 16 de janeiro de 2011

Levo-me, levas-me, matas-me

Levam-te as pupilas gustativas mumificadas em insaciedade
A encornar todas, sem dó
Nem um mísero de piedade.
Levam-te as garras afiadas
Que cravas a fundo, a prender-nos
Possuindo-nos,
Largando-nos num solitário fim de mundo.
Catastrófico a cada milésimo de segundo!
Levam-te instintos animais e burlescos
A obedecer ao estímulo de cada par de pernas
Vives de suspiros, gemidos e prazerosas carnes
Consumidas em movimentos animalescos;
Em mim sensações de morte efémeras!
Ah esses lábios vistosos
Comungantes de mim, dela e da outra (...)

Levam-te os companheiros à caça
De outras presas estupidamente indefesas
Que comes, abusas, despes e despedes
Num palreio de palavras belas,
Cuspidas em tom de nobreza.
Levo-me por ti
E para mim nada de prazeroso
Nem de sorridente folhear de páginas...
Tu nem de mim te levas...
Deixas-me sempre sem rumo
Com pontos de interrogação
E exclamação pelas recentes engrenagens...
Deixas-me sempre mas sempre
No canto inferior
Direito ou esquerdo
Ou tão somente só, a vaguear
    dividida, em cada ponta das margens...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A tua linguagem

Uns acham-na uma conjugação nobre de ramos numa jangada
Eu acho-a suja, horripilanta, velha, desgastada!

É tão barata como a pêga da rua
Que se enfeita de pó de arroz pela madrugada

É como penas em vacas
Não servem para nada!

É reles como o sótão levado pelo tornado
Aperaltado de madeiras gastas e falhas no soalho

É flácida como porcos em currais
E vorazes lobos de cruel tamanho

É falsete, composição inacabada numa pauta amarela
É mentira, discrepância, ultraje, balela!

É maleável como a amiga insegura
É deveras rude tal plasticina de pedra dura
É vociferante e espigada, levando-me à loucura!

É extensível como o universo
É um latim falso, tropeado, num palavreado disperso
É tudo o que se espera de adverso
De uma vez por todas limita-te a ficar        Calado!

É fácil, muito fácil, para quem vive de complicações
É chaga, sangue vivo, para a pleura dos meus pulmões

É longe do exaurível e inquestionável, oh pobre pateta alegre!
É nas veias rubor e raiva, um caldeirão de mortífera febre
(Não há quem te ature!)

É tão galante como subúrbios onde paira a fome
É a injúria, o maldizer na forma de homem
Xô? Que seja!

Só mais um pouco de metáfora ou como lhe queiras chamar;
És a maior melga da minha colmeia
A cigarra que mais canta no aldeamento de formigas
Tão desejável como um copo de vinho tinto
Quando a bexiga reclama de tão cheia!

És matéria sem sucesso, mal explorada!
E vá, deixemo-nos de eufemismos;
Nada és mais que uma alma desgraçada!

És a bruxa das histórias de sonhar
A bela da maça envenenada por estrear
Bolorenta e carcomida;
Não ouviste?      Sai !
Põe-te a milhas da minha vida !

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Floresta Em Sonho



Grandes letras por um homem controverso mas fascinantemente sábio. Adolfo Luxúria Canibal !