Levam-te as pupilas gustativas mumificadas em insaciedade
A encornar todas, sem dó
Nem um mísero de piedade.
Levam-te as garras afiadas
Que cravas a fundo, a prender-nos
Possuindo-nos,
Largando-nos num solitário fim de mundo.
Catastrófico a cada milésimo de segundo!
Levam-te instintos animais e burlescos
A obedecer ao estímulo de cada par de pernas
Vives de suspiros, gemidos e prazerosas carnes
Consumidas em movimentos animalescos;
Em mim sensações de morte efémeras!
Ah esses lábios vistosos
Comungantes de mim, dela e da outra (...)
Levam-te os companheiros à caça
De outras presas estupidamente indefesas
Que comes, abusas, despes e despedes
Num palreio de palavras belas,
Cuspidas em tom de nobreza.
Levo-me por ti
E para mim nada de prazeroso
Nem de sorridente folhear de páginas...
Tu nem de mim te levas...
Deixas-me sempre sem rumo
Com pontos de interrogação
E exclamação pelas recentes engrenagens...
Deixas-me sempre mas sempre
No canto inferior
Direito ou esquerdo
Ou tão somente só, a vaguear
dividida, em cada ponta das margens...
domingo, 16 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
A tua linguagem
Uns acham-na uma conjugação nobre de ramos numa jangada
Eu acho-a suja, horripilanta, velha, desgastada!
É tão barata como a pêga da rua
Que se enfeita de pó de arroz pela madrugada
É como penas em vacas
Não servem para nada!
É reles como o sótão levado pelo tornado
Aperaltado de madeiras gastas e falhas no soalho
É flácida como porcos em currais
E vorazes lobos de cruel tamanho
É falsete, composição inacabada numa pauta amarela
É mentira, discrepância, ultraje, balela!
É maleável como a amiga insegura
É deveras rude tal plasticina de pedra dura
É vociferante e espigada, levando-me à loucura!
É extensível como o universo
É um latim falso, tropeado, num palavreado disperso
É tudo o que se espera de adverso
De uma vez por todas limita-te a ficar Calado!
É fácil, muito fácil, para quem vive de complicações
É chaga, sangue vivo, para a pleura dos meus pulmões
É longe do exaurível e inquestionável, oh pobre pateta alegre!
É nas veias rubor e raiva, um caldeirão de mortífera febre
(Não há quem te ature!)
É tão galante como subúrbios onde paira a fome
É a injúria, o maldizer na forma de homem
Xô? Que seja!
Só mais um pouco de metáfora ou como lhe queiras chamar;
És a maior melga da minha colmeia
A cigarra que mais canta no aldeamento de formigas
Tão desejável como um copo de vinho tinto
Quando a bexiga reclama de tão cheia!
És matéria sem sucesso, mal explorada!
E vá, deixemo-nos de eufemismos;
Nada és mais que uma alma desgraçada!
És a bruxa das histórias de sonhar
A bela da maça envenenada por estrear
Bolorenta e carcomida;
Não ouviste? Sai !
Põe-te a milhas da minha vida !
Eu acho-a suja, horripilanta, velha, desgastada!
É tão barata como a pêga da rua
Que se enfeita de pó de arroz pela madrugada
É como penas em vacas
Não servem para nada!
É reles como o sótão levado pelo tornado
Aperaltado de madeiras gastas e falhas no soalho
É flácida como porcos em currais
E vorazes lobos de cruel tamanho
É falsete, composição inacabada numa pauta amarela
É mentira, discrepância, ultraje, balela!
É maleável como a amiga insegura
É deveras rude tal plasticina de pedra dura
É vociferante e espigada, levando-me à loucura!
É extensível como o universo
É um latim falso, tropeado, num palavreado disperso
É tudo o que se espera de adverso
De uma vez por todas limita-te a ficar Calado!
É fácil, muito fácil, para quem vive de complicações
É chaga, sangue vivo, para a pleura dos meus pulmões
É longe do exaurível e inquestionável, oh pobre pateta alegre!
É nas veias rubor e raiva, um caldeirão de mortífera febre
(Não há quem te ature!)
É tão galante como subúrbios onde paira a fome
É a injúria, o maldizer na forma de homem
Xô? Que seja!
Só mais um pouco de metáfora ou como lhe queiras chamar;
És a maior melga da minha colmeia
A cigarra que mais canta no aldeamento de formigas
Tão desejável como um copo de vinho tinto
Quando a bexiga reclama de tão cheia!
És matéria sem sucesso, mal explorada!
E vá, deixemo-nos de eufemismos;
Nada és mais que uma alma desgraçada!
És a bruxa das histórias de sonhar
A bela da maça envenenada por estrear
Bolorenta e carcomida;
Não ouviste? Sai !
Põe-te a milhas da minha vida !
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Floresta Em Sonho
Grandes letras por um homem controverso mas fascinantemente sábio. Adolfo Luxúria Canibal !
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